Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui pRádio Bra editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Antônio Ávila

23 AGO 2014
23 de Agosto de 2014

CASA VELHA

 

O Cheiro do mato,

E da terra molhada,

Evocam-me tua lembrança,

Casa velha da minha infância.

Nas minhas caçadas e pescarias


Fui feliz, fui criança.

Sabiás, sebinhos e bem-te-vis,

Tudo isso e muito mais,

Traíras, jundiás e lambaris,

Faziam parte do meu mundo.


O velho fogão de lenha,

O chão batido e o candieiro,

 

Luas cheias, vagalumes,

Bergamotas, pão caseiro.

Como pode casa velha?

 O tempo te fez tapera,

 E hoje nem existe mais,

 

Foste abrigo dos meus avós,

 Dos meus tios e meus pais.

 Sim... O tempo,

 Cruel senhor do destino,

 Parece que zomba da gente.

 O que fez com o pobre menino,

 Aquela alminha rude de guri?

 Fez virar um homem,

 E se perder por ai.

 Mas duma coisa tenho certeza,

 Se o paraíso existiu,

 Com certeza era ali.

 

 UMA TARDE

Por detrás dos prédios vislumbrava-se o vermelho alaranjado do por do sol no Guaíba, era um final de tarde, uma tarde especial, não como outras tantas.

Uma tarde quente com certo teor de melancolia e saudade, véspera de feriado de finados.

Logo a noite cobriu a cidade com seu manto como faz todos os dias, eu caminhava preguiçosamente pelas ruas antigas e ladeiras de casarões com sua arquitetura secular, lugares que nunca passei, apesar de morar muitos anos lá. Tinha que viajar as 22:00h, mas no fundo não queria isso, apesar do cansaço, eu seria capaz de ficar andando a noite toda. Havia acabado de despedir-me de minha filha mais velha, a voz embargada, um abraço fraterno e um agradecimento pelo “dia legal” que acabava de ter. Ao descer a ladeira da Duque em direção a Av. Borges, lembrei-me dos versos de Quintana, e recitava-o mentalmente.

 

“OLHO O MAPA DA CIDADE,

 COMO QUEM EXAMINASSE

 A ANATOMIA DE UM CORPO

 (E NEM QUE FOSSE O MEU CORPO)

 SINTO UMA DOR INFINITA

 DAS RUAS DE PORTO ALEGRE

 ONDE JAMAIS PASSAREI...”

 

Talvez para ela tenha sido apenas mais um dia, mas para mim foi um dia especial, diferente, pela sua companhia, coisa que nos seus 23 anos de vida desfrutamos muito pouco. Culpa minha é claro, com meu jeito meio tosco nunca dei a atenção que ela merecia.

 Visitamos a feira do livro na Praça da Alfândega, a Igreja das Dores, a Casa de Cultura, paramos num bar para uma pausa, matar o tempo mesmo, como é bom matar o tempo, aquela preguiça gostosa, com uma cerveja gelada (a velha e boa Polar) e um bom papo.

Depois matamos a fome com um cachorro quente na galeria do Rosário, acho que era um labrador, pelo tamanho do bicho, brincadeiras a parte até isso nos dá saudade, um simples cachorro quente ou um xis prensado, coisas que não existem aqui onde eu moro.

 Tiramos várias fotos pelas ruas da cidade, Porto Alegre tem o seu encanto, aquela nostalgia, apesar da sujeira de algumas ruas, acho que esse é um dos grandes problemas das capitais.

 

“HÁ TANTA ESQUINA ESQUISITA,

 TANTA NUANÇA DE PAREDES,

 HÁ TANTA MOÇA BONITA

 NAS RUAS QUE NÃO ANDEI

 (E HÁ UMA RUA ENCANTADA,

 QUE NEM EM SONHOS SONHEI...)

 QUANDO EU FOR UM DIA DESSES,

 POEIRA OU FOLHA LEVADA

 NO VENTO DA MADRUGADA,

 SEREI UM POUCO DO NADA,

 INVISÍVEL, DELICIOSO

 QUE FAZ COM QUE TEU AR,

 PAREÇA MAIS UM OLHAR,

 SUAVE MISTÉRIO AMOROSO,

 CIDADE DO MEU ANDAR!

 (DESDE JÁ TÃO LONGO ANDAR!)

 E TALVEZ DO MEU REPOUSO...

 

... O imortal Mário Quintana

 

Já faz alguns anos que sai do Rio Grande do Sul, por motivos profissionais acabei me enraizando em outras querências, e de certa forma inconscientemente me afastando das pessoas que gosto, nem sei que sotaque eu tenho hoje, se é que tenho. Soa estranho para mim aquele sotaque do gaúcho urbano, aquela fala cantada, pausada.

Vamos envelhecendo e tentamos nos reciclar, fazer uma “mea culpa”, como se estivéssemos num confessionário, ainda criança nos preparando para uma primeira comunhão. O que passou não volta mais, ficam as lembranças boas ou ruins, o que nos resta é saber separar aquilo que foi proveitoso e sepultar o resto. 

Li em algum lugar, não sei quem escreveu, mas a frase é interessante.

“ não podemos fazer um novo começo, mas podemos escrever um novo fim”

Então quem sabe daqui para frente eu não escreva um novo fim? Só depende de mim, para passar muitas tardes inesquecíveis.

(Dedico esse texto a minha filha Fernanda Silva dos Santos/Blumenau, 4 de Novembro de 2010)

Voltar

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

O Som do Campo na Internet

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.