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José Cláudio Machado

19 AGO 2014
19 de Agosto de 2014
Um dos grandes nomes da música gaúcha, José Cláudio Machado tem uma longa vivência no meio tradicionalista, tendo se apresentado em diversos estados e composto clássicos como “Pêlos” e “Pedro Guará”, por exemplo. Natural de Tapes, acha hoje  que tudo perdeu um pouco o sentido. Cita o desfile de 20 de setembro, o Parque Harmonia, evocando o tempo das barracas de lona e das manifestações populares mais espontâneas. Tem 14 CDs gravados e participações em muitos outros.

 

Gravou e tocou com Os Tapes, Os Serranos, Bebeto Alves, Luiz Marenco, Mauro Moraes, e foi parceiro inseparável de Jayme Caetano Braun. Também parou de ir a festivais porque não gosta de disputas e acha os resultados invarivelmente duvidosos.

 

“Eu me sinto mal ganhando e me sinto mal perdendo, sou mau ganhador e um mau perdedor”, diz.

 

Ele foi um dos que ajudou a criar o Parque da Harmonia. Lembra que primeiro era um aterro, depois foi “tomando jeito” de parque. Ia com a turma assar uma carne, passar o dia, se reunir, brincar, jogar bocha. “E um dia saiu um acampamento sobre chimarrão e essas coisas. A primeira mateada e aí quando se viu, virou um parque”, lembra. Hoje para ti ir para lá, diz, tem que ser dono de um terreno, que manter ele limpo e conservado, não é qualquer um que acampa. Tem que pertencer a um piquete, se inscrever. “Não é uma crítica, mudou muito o foco do que é tradicionalismo”, afirma.

 

A Semana Farroupilha também é outro evento gaúcho que, para ele, também se des-caracterizou. Na sua opinião, o desfile deveria ser exclusivamente para os costumes gaúchos, sem a participação de outras entidades. “A única que está inserida dentro do contexto da Semana Farroupilha é a Brigada Militar, pois fez parte da Revolução. Mas mudou muito, ficou muita alegoria, carnavalesco”.

 

Morando em Guaíba, dificilmente vem a Porto Alegre, que só visita quando vai ao estúdio gravar. “Fico duas semanas socado ali, e aí é do estúdio para casa e de casa para o estúdio. Na noite não dá para sair mais, está muito perigoso”.

 

Na Capital trabalhava muito na noite, em restaurantes, como a Pulperia, por exemplo, na Churrascaria 35, quando era na frente da Zero Hora. E em quase todas as churrascarias do Centro. No Treviso? “Cheguei a ir lá, na madrugada. Saíamos das casas noturnas e íamos para o Treviso tomar canha, para arrematar a noite”, recorda.

 

 A redescoberta tradicionalista

 

Os anos 70 e 80, afirma foi uma abertura para todos os músicos tradicionalistas. Diz que a partir daí é que começou a ser divulgado, porque até então o próprio Rio Grande do Sul não era tão divulgado, as prioridades eram outros gêneros. O marco foi a partir da Califórnia da Canção, em 1971, quando ele participou com o grupo “Status”. A música com a qual participaram, sobre um farroupilha que filosofa se valeu a pena ter lutado ou não, tinha 20 minutos e ficou fora do disco. Mas ganharam uma menção honrosa. Em 1972, ganhou com a canção “Pedro Guará”. O festival, diz, abriu muito espaço, inclusive levando os jovens para a música nativa. Assim como o Harmonia, aqui também houve distorções, na sua opinião. A música começou a ficar mais urbana e não foi aceita pelo lado mais “radical”. Vários CTG’s, por exemplo não aceitam a “tchê-music”, gênero que para ele tem valor porque através dele se evita que o jovem caia no rock. “Porque senão amanhã isso aqui vira tudo americano”, diz. Tocou duas vezes, um ano de cada vez, com “Os Serranos”. Depois seguiu a sua trajetória, o seu trabalho solo.

 

 

Opiniões e impressões de José Cláudio

 

 

A inspiração

 

Inspiração? “Eu nasci no meio rural, no meio campeiro. Trabalhei no campo, na minha infância, minha juventude, eu conheço toda lida campeira. Gosto do campo, mas trabalhar no campo não é comigo não. Então a inspiração vem, tu não programa ela. Te surge um verso, assim, de repente, uma palavra. Ou num animal no campo, no movimento do campeiro, é casual. Tem pessoas que tem o “dom”: olha eu vou fazer uma letra sobre isso aqui. E vai lá e faz. Eu gosto de letras que tenham uma mensagem, uma história, que falem da vida campeira, ou alguma verdade no meio, porque tudo tem um cunho político. Até o “maluco beleza”, o Raul Seixas, tinha maravilhas de letras, com toda loucura dele de roqueiro. Tem aí o Chico Buarque que é uma cabeça, escreve simples e se comunica com todo mundo.

 

Como surgiu “Pedro Guará” e outras músicas

 

Foi uma história esquisita. No início, quando nós fundamos o grupo “Status” tinha o Cláudio Bueno Garcia, que hoje é doutor em filosofia. Ele estudou teologia, professor em São Miguel. Nessa época eu tocava muito em bailes, mas quando começaram a escassear, fui trabalhar como mecânico. E um dia tava caindo uma garoa, me vem uma melodia. Passei o dia com aquela melodia na cabeça e de noite peguei, botei em cima da letra e encaixou certinho. O Cláudio Boeira Garcia dá aula em uma faculdade em Ijuí. A música foi feita a quatro mãos. Já “Don Munhoz” é letra e música do finado Gaspar Machado, bom poeta e música do Airton Pimentel, eu só cantei. “A Canção do Gaúcho” é do Barbosa Lessa. É uma música apoteótica e tem mensagem, né? Cada vez que se executa, o público se inflama. Normalmente nos meus shows eu finalizo com ela.

 

Orgulho de ser gaúcho

 

Eu acho que o orgulho e a inflamação de ser do Rio Grande já nasceu com o gaúcho. Queira ou não queira, todo gaúcho, gosta de ser gaúcho, tem orgulho da terra dele. Muitas vezes a pessoa sai daqui e vai morar lá na Bahia e nunca vestiu bombachas. Aí o cara chega lá e coloca uma bombacha com o maior orgulho, aqui ele tem vergonha de botar. É porque aqui criticam muito. Medo da gozação. Estive em Mato Grosso, seis dias, me levantava cedo pra tomar meu banho, meu mate, pitar meu cigarro. Quando abri a porta do meu quarto, tinha nos fundos uma área grande com três, quatro gaúchos sentados com chimarrão, com charque, carne, churrasco, erva e não sei o que mais. Não descansei um dia! A loucura da saudade que aquele povo sente, ficam até 10 anos sem vir para cá.

 

CTG e a cultura gaúcha

 

Os CTG’s se preocupam em baile e não criam um lado cultural. Não tem ali o cara mostrando como se tira o leite o outro mostrando como é uma doma, outro mostrando como é um tiro de laço. Quando entra em rodeio é só tiro de laço e acaba pagando entrada. É obvio, eu reconheço que para se fazer um rodeio, tu gasta, mas é só em tiro de laço, da manhã à noite. Tem muita coisa distorcida, até a maneira que o homem do campo fala, tem muitas coisas aí que não é o que dizem. Por exemplo, hoje mesmo o Rui Biriva está cantando uma música que eu acho um horror aquilo, tchê. A letra é uma desgraça total, fica meio pesado para ouvir. O “guasca para fora” tem duplo sentido e tu botar em uma letra “cheiro de bosta”... O ouvido do povo não é penico, tchê. Outra coisa que eu detesto também é o machismo.

 

Músicos gaúchos, parcerias e convivências

 

Conheço o Yamandu desde pequenino. Ele está em uma fase muito boa, toca muito violão, tenho orgulho dele. Seguido pegava o violão e vinha aqui com o falecido pai dele. A música gaúcha foi divulgada por um cata¬rinense, que era Pedro Rai¬mundo. Depois vieram os Ber¬tussi, que contribuíram muito, conhecidos no Brasil inteiro. Depois veio o Teixeirinha, que contribuiu muito, mas muito mesmo, embora tivesse as pessoas que não gostavam. Foi um grande precursor da música gaúcha. Foi importante também o Gildo de Freitas, aquele modelo mais simples. Depois de 1972 “Os Mirins”, com Albino Manique, com o acordeom maravilhoso, “Serranos” e por aí ela vem crescendo. Quando estoura a Ca¬lifórnia da Canção, aí que a divulgação começou. César Passarinho, Leopoldo Rassier, o Gaúcho da Fronteira, com uma outra proposta musical, mais hilariante. Depois veio Cenair Maicá, uma perda sem tamanho. O finado Leonardo que contribuiu muito, e dos antigos, taí o Pedro Ortaça. O resto é essa gurizada nova, que está cantando bem musicalmente, as letras bem feitas, mas falta um toquezinho, ao meu ver, de mensagem, de conteúdo.

 

O amigo Jayme Caetano Braun

 

Ah, meu querido, falecido, amigo Jayme. Tivemos um convívio largo. No início quando fui para Porto Alegre, eu pertencia a um grupo, antes dos Serranos, que era um dos mais antigos que tinha no RS, Os Teatinos*. Quando fazíamos show no Palácio do Governo para mostrar a cultura gaúcha, quando vinha autoridades, presidente da república, senador. E o Jayme sempre ia junto, em show, teatro, em todo o Rio Grande. Viajamos para fora, em vários estados e depois viajei muito tempo só o Jayme e eu, cantamos até para o dono da Globo, Roberto Marinho, na casa dele, para o Figueiredo um dia antes dele assumir a presidência. Então o Jayme foi uma pessoa maravilhosa, sem contar que ele foi um dos maiores poetas, nessa linha, um homem campeirís¬simo. Três homens fantásticos para descrever um poema, eram o Jayme, Aureliano de Figueiredo Pinto, e o finado, João da Cunha Vargas. São os da nata.

 

Visitas ao Mercado Público

 

Eu ia seguido Mercado Público. Esses dias eu ainda disse, preciso ir no Mercado, estou programando isso já faz um tempo. Vou lá buscar uns dourados para fazer assado na grelha. Eu procuro filé de tilápia e não acho. Lá eu encontro. Tenho que ir, passar uma tarde lá. Mas vou levar uns dois ou três guarda-costas, porque se não passa um ladrão e me rouba o chapéu. Depois da reforma eu ainda não fui. O Mercado Público é um patri¬mônio fora de série, né? Aquilo ali é um ponto cultural de Porto Alegre, para mim, o coração do Rio Grande. Para mim em matéria de ponto turístico, é ali. O cara encontra de tudo ali, é um mundo a parte.

 

* Os Teatinos era um grupo campeiro, natural de Tapes – RS, que tinha a seguinte formação: Glênio Fagundes, (Vocal e violão), Paulo Fagundes (Vocal e violão), José Cladio Machado (Vocal e violão) e Marco Aurélio Campos (Bombo nativo). Tea¬tinos gravou um disco em 1976, que se chamava, Telurismo – Vol. 1. Que contou com as participações de João Batista tocando contra-baixo, e Geraldo Schuler tocando flauta.

 (Última atualização - sábado, 28 de agosto de 2010 / Jornal do Mercado)

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